Corte no orçamento do CNPq afeta pesquisa na UEL

O déficit de R$ 300 milhões no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) poderá comprometer o pagamento de bolsas e a manutenção de projetos acadêmicos em pleno desenvolvimento na UEL (foto). O CNPq necessita de R$ 1,2 bilhão para honrar compromissos com bolsas e projetos já assumidos para este ano em todo o Brasil, para um montante de R$ 900 milhões previstos no orçamento de 2019. A informação foi confirmada no final da semana passada pelo próprio presidente do CNPq, João Luiz Filgueiras de Azevedo, em entrevista ao Jornal da Universidade de São Paulo (USP), publicada no site da instituição.

Pesquisadores e coordenadores de grupos de programas de pós-graduação da UEL receberam a notícia com espanto, porém sem surpresas, uma vez que já haviam rumores de que o principal órgão de fomento à pesquisa brasileira poderia amargar cortes, em um cenário de baixo desempenho da economia.

O reitor da UEL, Sérgio Carvalho, afirmou que a possibilidade de cortes no montante acenado pelo novo presidente do CNPq preocupa toda a comunidade científica do país, uma vez que a agência é a principal fonte de financiamento de pesquisa. “É uma situação dramática e que coloca em risco projetos desenvolvidos a médio e longo prazos, estamos todos preocupados com os efeitos que isto pode provocar”. Em sua avaliação, a pesquisa precisa ser considerada como alavanca estratégica de desenvolvimento econômico e social, considerando a formação de mão de obra especializada e os resultados obtidos a partir da inovação e de produtos e serviços. 

O pró-reitor de Pesquisa e Pós graduação em exercício da UEL, professor Arthur Eumann Mesas, explica que existem 129 professores que recebem bolsas com recursos do CNPq, nas modalidades bolsa produtividade e produtividade em desenvolvimento tecnológico. Outros 299 estudantes de graduação e 44 de Ensino Médio recebem bolsas Iniciação Científica e Iniciação Científica Júnior, respectivamente. Para efeito de comparação, o CNPq responde com 47% do total de bolsas concedidas a pesquisadores.

A possibilidade de cortes ameaça não só a concessão dos benefícios mensais, mas a manutenção de projetos já iniciados. “Não queremos pensar que tudo isto vai ocorrer, é preciso acreditar que é possível reverter”, afirmou o pró-reitor. Por outro lado ele demonstrou preocupação com o fato do presidente do Conselho ser taxativo quanto a não publicação da chamada universal CNPq 2019. De acordo com Arthur, esta negativa afeta jovens pesquisadores que aguardam o edital para buscar recursos para desenvolverem seus projetos.

Ele afirma ainda que existe hoje incentivo por parte de todas as esferas governamentais de incentivar parcerias com empresas públicas e privadas buscando desenvolvimento científico e tecnológico. “Fundamental lembrar que a inovação prevê uma trajetória de pesquisa e quando não há estímulo a este processo você priva a sociedade de colher benefícios futuros”, concluiu o pró-reitor.

Plataforma Lattes – como se não bastasse o déficit orçamentário, outro problema relatado pelo novo presidente do CNPq é quanto a melhoria da infraestrutura da entidade. As plataformas Lattes e Carlos Chagas estão defasadas, operando no limite da capacidade tecnológica e o quadro de funcionários que não para de encolher. Em meio a escassez de recursos humanos e financeiros, o novo presidente tem a missão de tentar conciliar o apoio universal à pesquisa científica, que é uma marca do CNPq, com as demandas crescentes por inovação tecnológica e priorização de investimentos em áreas consideradas estratégicas pelo governo. 

Fonte e foto: Agência UEL

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