Maior longevidade a cães e gatos

Por Juliana Félix*

Segundo uma pesquisa do Hospital Veterinário Sena Madureira, de São Paulo, dos anos 80 aos dias atuais, a expectativa de vida dos animais domésticos aumentou consideravelmente. Cães e gatos estão vivendo praticamente o dobro do que viviam e isso é resultado da aproximação afetiva com seus donos e dos avanços da Medicina Veterinária. No entanto, assim como os seres humanos, quanto mais velhos os animais, mais se tornam propensos a doenças ligadas à idade, como a insuficiência cardíaca (IC) e a doença renal crônica (DRC), que envolvem dois órgãos muito importantes: o coração e o rim.                       

      Como os humanos, os animais domésticos têm aumentado sua expectativa de vida, o que os torna suscetíveis a doenças associadas à idade.            

Pensando na longevidade desses animais, quatro docentes e dez estudantes da graduação compõem o Projeto de Extensão Cárdio-renal em cães e gatos atendidos no Hospital Veterinário/UEL, sob a coordenação do Professor Weslem Garcia Suhett, do Departamento de Clínicas Veterinárias. A ação propicia diagnóstico, atendimento e acompanhamento médico veterinário a cães e gatos suspeitos assintomáticos ou sintomáticos de cardiopatias e síndrome cárdio-renal.

Desde 2018, fase II da iniciativa, o projeto assiste cães e gatos atendidos no Hospital Veterinário da UEL, ou que são encaminhados por médicos veterinários de Londrina e região que necessitam de atendimento e acompanhamento especializado. O serviço é realizado às sextas-feiras, das 14 às 18 horas no próprio HV.

CAUSAS

Como esclarece o professor, a insuficiência cardíaca é definida por qualquer perda da função do coração, ou seja, quando o órgão não funciona adequadamente, por qualquer motivo, podendo ser por doença valvar (válvulas), doenças do miocárdio (músculo cardíaco), ou pela conhecida hipertensão (pressão alta).

Já a doença renal crônica ocorre quando o rim perde sua finalidade e se mantém sem funcionamento adequado por mais de três meses. Pode ser adquirida por doenças infecciosas como a leptospirose e a erliquiose (doença do carrapato), que levam à perda da função renal. Como explica Suhett, o rim funciona para filtragem e depuração sanguínea, retira as toxinas do sangue e as transforma em urina para serem eliminadas. Se o órgão não consegue executar essa função, pode parar de produzir hormônios como a eritropoetina, responsável por estimular a medula óssea a produzir as células sanguíneas, o que leva o animal a ficar anêmico.

É caracterizada como insuficiência renal crônica quando mais de 60% do rim, ou dos néfrons, que compõem o órgão, estão afuncionais. Diferente desse quadro clínico, a insuficiência renal aguda é definida pela reversibilidade da doença, quando o rim se encontra insuficiente no momento, mas não perdeu sua função. O tratamento para doenças renais é avaliado caso a caso, porque cada abordagem exige um tratamento específico.

DOIS ÓRGÃOS LIGADOS

Como explica Suhett, o coração e o rim se comunicam o tempo todo. As doenças renais, se não tratadas, interferem na função cardíaca porque o coração precisa da ação do rim no equilíbrio dos eletrólitos (sódio, potássio, cloro, entre outros) para funcionar corretamente. Se o rim para de atuar, esses eletrólitos são afetados e, consequentemente, o coração também.

O contrário também acontece, já que o coração é responsável por bombeamento sanguíneo e o rim só funciona adequadamente se recebe 25% do sangue circulante. Caso haja algum tipo de problema no coração, pouco sangue chega no rim. Assim, a função de um depende da função do outro. A coexistência de insuficiência cardíaca e doença renal crônica é que recebe a denominação Síndrome Cárdio- Renal.

SINTOMAS

O docente explica que pelo fato de o coração e o rim serem órgãos silenciosos, quando os animais começam a apresentar os primeiros sinais de doença renal ou cardíaca, esta já se encontra em estado avançado, o que dificulta a identificação dos sintomas.

De maneira geral, os animais que apresentam quadro clínico de insuficiência cardíaca, podem manifestar tosse, cansaço fácil, cianose (a língua começa a ficar arroxeada ou azulada), dispneia (dificuldade respiratória) e acúmulo de líquidos cavitários, como a barriga d’água. No caso dos animais doentes renais, os sinais são inespecíficos. Pode haver perda de apetite, vômito e diarreia com presença de sangue, aftas e machucados na boca. São sinais que podem ser qualquer coisa, portanto, só através de exames é possível identificar o problema, o que pode retardar o tratamento.

CONTRIBUIÇÕES

Na avaliação do docente, o projeto beneficia tanto a comunidade interna quanto a externa. “É possível que a população tenha acesso a exames de alta tecnologia a custo zero. Os pacientes que entram pelo projeto acabam não tendo custo algum pela execução desses exames, que fora do HV, chegam a custar de 180 a 280 reais”, afirma. Suhett explica que na graduação não se tem condições e tempo hábil para falar de todas as doenças cardiovasculares e que envolvem a parte renal, e que no projeto os estudantes têm a oportunidade de um contato prático e teórico de muitas doenças que veem superficialmente, ou nem veem durante o curso. “A Cardiologia e a Nefrologia são duas especialidades na Medicina Veterinária com potencial de crescimento. Existem poucos profissionais trabalhando nas áreas, principalmente no caso da Nefrologia. No projeto, os estudantes têm a oportunidade de, pelo menos, ter um primeiro contato e quem sabe, no futuro, possam se especializar e atuar nessas áreas”, destaca.

*Juliana Félix é estagiária de Jornalismo na COM (UEL) Esta matéria foi publicada originalmente no Jornal Notícia nº 1.391 da Universidade Estadual de Londrina.

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