Pais esperam seis horas para plantonista ir atender filho de dois anos com braço quebrado

Criança de dois anos espera seis horas para ser atendida por ortopedista que estava em plantão à distância na Santa Casa de Cambé. Pai diz que atendente alegou que não poderia chamar o plantonista, “somente em caso grave”. Diretora da Santa Casa informa que vai apurar o ocorrido e, constatada falha ou omissão de atendimento, as pessoas envolvidas serão responsabilizadas.
Vídeo publicado em redes sociais pelo pai e editado pelo cambedefato.com por conta do tamanho do arquivo original.

cambedefato.com / 16 de junho de 2019.

Um casal residente no Jardim Água da Esperança, em Cambé, procurou a Santa Casa de Cambé, encaminhados pela UPA do Jardim do Sol buscando atendimento para o filho de dois anos que estava com o braço quebrado.

Neiva e Valdemir Cruz estavam com o filho em uma festa de aniversário no Jardim Califórnia, em Londrina. O menino caiu do pula-pula e quebrou o braço. Os pais assustados, levaram a criança na UPA do Jardim do Sol, ainda em Londrina, e lá o plantonista de ortopedia fez o primeiro atendimento. O médico imobilizou o braço da criança e encaminhou os pais para atendimento na Santa Casa de Cambé, onde pela escala médica, haveria um plantão ortopédico, pois o caso seria de cirurgia.

Eram 2h45 da madrugada de domingo (16) quando Neiva e Valdemir chegaram à Santa Casa de Cambé. Segundo relato do pai, externado em vídeo publicado em redes sociais (reproduzido em parte nesta matéria), o hospital não ofereceu atendimento de pediatria e nem de ortopedia. Valdemir relata, no vídeo, que a atendente informou que o ortopedista fazia plantão à distância e que só é chamado em casos de extrema urgência, como quando ocorre uma fratura exposta. A criança só foi atendida as 9h00 de domingo, quando o plantonista de ortopedia chegou ao hospital. A cirurgia foi marcada para as 14h00 do domingo.

“Martírio”– Neste domingo pela manhã, em entrevista ao cambedefato.com, Valdemir contou por que procuraram uma UPA de Londrina e como foram parar na Santa Casa de Cambé. “Estávamos em um aniversário em Londrina lá no Jardim Califórnia e a UPA mais próxima de nós era a do Jardim do Sol. Primeiro nós fomos na UPA do Sabará, pois as pessoas que estavam no aniversário falaram que só tinha ortopedista na UPA do Sabará e fomos até o Sabará.  Chegando lá nos informaram que não tinha ortopedista e pediram para gente ir lá na UPA do Jardim do Sol que lá teria ortopedista fomos para a UPA do Jardim do Sol. Lá tinha ortopedista ele fez o primeiro atendimento e disse que o resto do atendimento teria que ser feito na Santa Casa de Cambé. Aí começou o nosso martírio”, conta o pai.

Segundo ele, ao chegar na Santa Casa, a atendente informou que não havia médico ortopedista de plantão. “Chegamos na Santa Casa de Cambé e nos falaram que não tinha médico. Mas o médico da UPA do Jardim do Sol já tinha nos informado que havia médico (ortopedista) na escala da Santa Casa de Cambé, por isso nos encaminhou para lá. Mas eles se negaram a nós atender e falaram que não tinha médico”, relata.

A partir da primeira negativa da Santa Casa, Valdemir e Neiva levaram o filho de volta à UPA do Jardim do Sol. “Voltamos para a UPA do Jardim do Sol novamente e chegando lá o médico ligou para o médico SAMU. Começarão a discutir no telefone e ele nos falou que a Santa Casa tinha que atender a gente pois tinha médico na escala e ele (médico da UPA do Jardim do Sol) nos falou que o médico (plantonista da Santa Casa) não queria se deslocar só para atender uma criança”, conta.

Diante da afirmativa do médico da UPA do Jardim do Sol, o casal foi de novo buscar atendimento na Santa Casa de Cambé. “Chegando na Santa Casa novamente, a enfermeira continuou nos afirmando que não tinha médico e que ela não poderia ligar para o médico (plantonista). Só se fosse caso de fratura exposta”, conta Valdemir, que completa:  “ou seja, tinha médico mas ele estava na casa dele dormindo e ele só viria se fosse um caso muito grave. Parece que um braço quebrado de uma criança de dois anos não é um caso grave”, desabafa.

Ainda segundo o relato do pai, a criança foi atendida as 9h00 da manhã do domingo (16). Pouco mais de seis horas depois de procurar a Santa Casa a primeira vez, as 2h45 da madrugada. O menino foi consultado por uma pediatra e depois pelo plantonista ortopédico, que indicou a necessidade de submeter o pequeno à uma cirurgia, que foi marcada para as 14h00 de domingo, pois o menino não estava em jejum.

Revoltado, Valdemir chama a atenção das autoridades para a situação. “Desde ontem às 2h45 da madrugada e só foi atendido agora. Depois de muitas pessoas intervirem, conseguimos ser atendidos 9h00 da manhã.  O que falar de uma situação dessas? Só quem é pai (pode imaginar) o que é ter um filho de braço quebrado e não conseguir atendimento médico”, conta. O pai, também faz seu desabafo em um grupo de whattsapp que conta com a presença de autoridades: “peço  a Deus que nenhum dos senhores passe por essa situação que eu e a minha esposa passamos essa madrugada.  Eu espero que nenhum de vocês nunca passe por essa situação, pois você se sente impotente, sabendo que as pessoas podem te ajudar e te viram as costas. Deus queira que nenhum de vocês nunca passe por isso”.

Santa Casa vai apurar responsabilidades – A diretora da Santa Casa de Cambé, Maria Mercês Peixoto, conversou com o cambedefato.com nesta manhã, assim que foi informada da situação. Mercês disse que ainda não era possível ter todas as informações da ocorrência e que se concentrou, logo pela manhã, em conseguir dar atendimento à criança. “Logo que fui informada, fiz contato com o hospital e pedi agilidade no atendimento da criança”, diz Mercês. A diretora também nos informou que vai apurar rigidamente a denúncia dos pais e, caso seja constatada a falha ou omissão no atendimento, as pessoas serão responsabilizadas. “Vamos apurar o que aconteceu e, se houve falhas ou omissão, vamos responsabilizar as pessoas envolvidas”, disse Mercês.

Redação CDF. Foto e vídeo: Valdemir Cruz (uso autorizado).

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