Mães afirmam que pediatra da Santa Casa teria se recusado a atender duas crianças; uma delas convulsiona na recepção

A Santa Casa de Cambé diz que os dois casos relatados em nossa matéria são de “procura espontânea”, ou seja, quando os usuários procuram atendimento no hospital por iniciativa própria, sem serem encaminhados (ou referenciados) por outra unidade de saúde. Para a Santa Casa as duas famílias deveriam ter procurado a UPA 24 Horas primeiro. O hospital também informa que houve atendimento de uma das crianças e a outra foi encaminhada para a UPA. As mães divergem e afirmam que o atendimento de uma das crianças só aconteceu depois que ela convulsionou e desmaiou na recepção do hospital. A outra criança foi atendida no Hospital da Zona Sul, em Londrina.

cambedefato.com / 18 de junho de 2019.

Na noite de segunda-feira (17), duas famílias buscaram atendimento pediátrico na Santa Casa de Cambé para seus filhos. Acompanhe as duas histórias e no final da matéria, a posição do hospital.

Priscila Siebri é moradora do Santo Amaro e levou seu filho Gustavo, de oito anos para atendimento pediátrico na Santa Casa, por que, segundo ela, não encontrou pediatras em outro lugar. “Meu filho não estava bem e eu passei o dia ligando e procurando um médico pra ele. Eu liguei para todos os lugares e não tinha pediatra em lugar nenhum”, alega a mãe. “O único lugar que tinha pediatra naquele horário era na Santa Casa de Cambé. Perguntei se poderia levar meu filho lá e disseram que sim. Cheguei lá por volta de 18h30 e esperei bastante. Por volta das 21h00 disseram para mim que a médica não ia atender o meu filho. Ele passou pela triagem e a doutora se recusou a atender o meu filho”, diz Priscila, informando que a médica fez encaminhamento para a UPA 24 horas. “A médica nem veio falar com a gente. Ela pediu para a enfermeira avisar que não ia atender e que era para a gente ir para a UPA. Mas tínhamos a informação de que não havia pediatra na UPA”, afirma a mãe. A partir da negativa, Priscila levou seu filho para Londrina e encontrou atendimento no Hospital da Zona Sul, mesmo sem ser encaminhada por outra unidade de saúde.

A mãe conta para o cambedefato.com que Gustavo foi atendido no hospital de Londrina sem encaminhamento e ficou em observação com suspeita de virose. “Só liberaram depois que saiu o resultado do exame, e agora vou cuidar dele em casa agora, por uns dias”, diz.

Antes de sair da Santa Casa, porém, Priscila testemunhou a situação que narramos a seguir. Ela acompanhou as convulsões de outro menino, que também aguardava o atendimento que também foi recusado pela pediatra.

Criança sem atendimento médico convulsiona na recepção do hospital

A segunda criança que aguardava atendimento na Santa Casa é Pedro Henrique, de 20 meses. Ele é neto de Rita de Cássia Silva Calheiros e a família mora no Santo Amaro há pouco tempo, vinda de São Paulo. Rita conversou com o cambedefato.com e contou a história.

“Começou assim, o Pedro estava com resfriado e às 17h00 da segunda (17) começou a dar uma febre de 38 graus nele e o levamos no Posto 24 Horas do Santo Amaro (Unidade 24 Horas Maria Anideje). Chegamos lá por volta das 19h15. E lá estava lotado. O rapaz da recepção nos disse que não tinha pediatra e mandou a gente ir para a Santa Casa, que lá tinha pediatra”, conta Rita. “A gente foi pra Santa Casa e quando chegamos lá, a febre tinha aumentado, a gente mediu e estava 38,9. O rapaz da recepção nos disse que o bebê ia passar por uma triagem, por que a pediatra não estava no hospital. Se o bebê não estivesse bem, ele ia ser atendido. Caso contrário, eles iam encaminhar a gente para outro lugar”, prossegue Rita de Cássia.

A espera durou das 19h15 até 20h45. “A médica chegou 20h55 e não passou dois minutos depois que a médica chegou e a enfermeira saiu lá fora, com duas fichas na mão, e chamou o meu neto e o filho da Priscila, o outro menino com febre que estava lá aguardando a pediatra. A enfermeira então nos disse que a médica não ia atender os dois e que era para a gente procurar a UPA”, relata.

A avó conta que tentou dizer para a enfermeira que tinham a informação que não havia pediatras no plantão na UPA e que tinha sido encaminhada pela UBS 24 horas do Santo Amaro, justamente por que havia pediatra de plantão na Santa Casa. “Falamos que não tinha pediatra lá (na UPA) e que as crianças estavam com febre e precisavam ser atendidas. A enfermeira então devolveu as fichas de atendimento das crianças. A Priscila pegou a ficha dela, nós não pegamos e a minha filha ficou nervosa. Ainda segundo o relato da avó, a médica não estaria em atendimento. “A médica estava conversando, não estava atendendo ninguém, estava conversando”. Rita também informa que só havia as duas crianças para o atendimento de pediatria.

“A minha filha disse: ela vai atender sim, o meu filho está queimando de febre. Meu filho não vai ficar com essa febre. Abre essa porta”, conta Rita, sobre o início de discussão de sua filha com o atendente. “Eles não quiseram abrir a porta e eu saí até o carro para buscar meu esposo, para ele ajudar a conversar para ver se a médica atendia”, diz a avó completando: “no tempo que eu fui para o carro, meu neto convulsionou, virou os olhinhos, entortou a mão e a minha filha começou a gritar. Meu neto ficou ruim e desmaiou. Meu esposo pegou o meu neto no colo e minha filha empurrou a porta, deu uma pezada e abriu a porta no chute e entramos para dentro do hospital. A médica estava na sala dela, sentada. Ela não estava atendendo. Aí ela levantou e falou “calma, calma”. Aí minha filha xingou e falou para ela atender o menino. Aí correram com meu neto para a emergência. Eles não deixaram a gente entrar, mas minha filha disse que deram choque no menino para ele voltar e quando meu esposo entrou, ele já estava acordando”, diz, emocionada a avó.

Segundo ela, na sequência a médica saiu “e só disse pra gente que até os nove anos ele ia ter esse tipo de convulsão. E não falou mais nada pra gente. Mais nada”.

Rita diz ainda que por volta das 2h30 da madrugada, saiu o resultado do exame de sangue. “A médica olhou para a minha filha e disse: não deu nada os exames. Eu entendo você, por que eu também sou mãe, mas a senhora saiu quebrando o hospital. E não teve isso. Minha filha só empurrou a porta com o pé mas não quebrou nada, não aconteceu dano nenhum para o hospital. E aí ela mandou minha filha e o meu neto embora. Chegamos em casa, vindos do hospital às 4h00 da madrugada”.

Em seu relato ao cambedefato.com, Rita informa que vai buscar atendimento em outro hospital. Revoltada, a avó pergunta: “como acontece isso com o menino e ele não tem nada? A médica falou que fez Raio X e não era pneumonia, não era garganta, não era nada. Como ele não tem nada e convulsiona com uma febre de quase 40 graus? A gente pediu os exames de sangue e ela não quis dar. Falou que era para procurar o hospital no dia seguinte e pedir uma cópia dos exames, que ia ficar no prontuário dele. Eu vou na Santa Casa pedir a cópia dos exames e vamos procurar outro hospital”.

‘A gente não sabia que era assim’ – Ao cambedefato.com, Rita contou que a família mora há pouco tempo em Cambé. “A gente é de São Paulo, mora há pouco tempo em Cambé e olha, eu não sabia que aqui (em Cambé) as coisas eram desse jeito. Estou decepcionada, decepcionada mesmo. Na hora a minha pressão subiu a 22. Só Deus para dar força para nós nessa hora.”, finaliza.

Fazendo BO – Rita de Cássia Calheiros e Priscila Siebri chamaram a Polícia Militar e uma viatura se deslocou até a Santa Casa de Cambé, onde foi elaborado um Boletim de Ocorrência (AG203870) relatando a situação ocorrida no hospital.  

Outro lado: Santa Casa diz que houve atendimento

A direção da Santa Casa de Cambé respondeu ao cambedefato.com que os dois casos relatados em nossa matéria eram de “procura espontânea”, ou seja, quando os usuários procuram atendimento no hospital por iniciativa própria, sem serem encaminhados (ou referenciados) por outra unidade de saúde. Para a direção da Santa Casa as famílias deveriam ter procurado primeiro a UPA 24 horas, já que, segundo a assessoria do hospital, havia pediatras em plantão na UPA no horário da procura das duas mães.

A direção também informa que houve atendimento imediato quando uma das crianças convulsionou no salão do hospital. “A criança foi acolhida e foram feitos todos os exames que deram negativo e a criança foi liberada posteriormente” diz a direção do hospital.

No outro caso, a direção informou que a criança foi triada e encaminhada para atendimento na UPA, que tinha plantão pediátrico naquele momento, mas que, o hospital não tem informação por que a mãe preferiu ir até o Hospital da Zona Sul.

A direção da Santa Casa informou ainda que o hospital atende urgências e emergências e que outros casos devem procurar primeiro o atendimento da rede municipal de Saúde, como é o caso do plantão da UPA. Este, segundo a direção, é o fluxo correto e estabelecido do SUS. O hospital atende um paciente quando ele é encaminhado (referenciado) por outro serviço de atendimento de saúde, como as unidades da rede municipal.

Nota da Redação – A UPA tinha ou não pediatra?

Nessa história, um dos pontos centrais de divergência entre as duas famílias e o atendimento da Santa Casa, diz respeito ao plantão de pediatria da UPA 24 Horas.

As mães afirmam que procuraram a Santa Casa por que tinham a informação que não havia pediatra de plantão na UPA. A Santa Casa alega que sua pediatra não atendeu as duas crianças por que havia plantão pediátrico na UPA, e que as famílias deveriam ter procurado atendimento primeiro lá.

Segundo informações levantadas pelo cambedefato.com, no período noturno na segunda (17) havia pediatra de plantão na UPA 24 Horas.

Por outro lado, segundo uma fonte do jornal, durante a tarde da segunda (17) circulou uma informação de que não haveria plantão pediátrico na UPA naquela noite. Isto por conta de uma falha no plantão que estaria por ocorrer, mas acabou não acontecendo.

Esta informação pode ter sido repassada por telefone para a primeira mãe, Priscila e também é a mesma informação que, possivelmente o atendente da Unidade 24 Horas Maria Anideje (região do Santo Amaro) tinha em mãos, quando encaminhou (informalmente) Rita de Cássia para a Santa Casa.

Podemos concluir, portanto, que  as mães, antes de procurar a Santa Casa, realmente tiveram a informação de que não haveria plantão pediátrico na UPA.

Redação CDF. Fotos: arquivo familiar (uso autorizado).

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