Ratinho Junior diz que não há dinheiro para o reajuste dos servidores

O governador Ratinho Junior disse que não há dinheiro para dar o reajuste (data-base) ao funcionalismo estadual. Servidores divergem, dizem que há dinheiro e marcam greve a partir do dia 25.

cambedefato.com / 21 de junho de 2019.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior declarou, em entrevista coletiva em Londrina, na quinta-feira (20) que não há dinheiro para dar o reajuste dos servidores estaduais. Ratinho disse que o seu desejo é dar o reajuste aos servidores, a data-base, mas que o problema é que o governo não tem dinheiro. “Não existe a possibilidade de reajuste, porque representaria quase R$ 1 bilhão a mais de gastos. Temos que trabalhar com a realidade. Isso exigiria aumento de arrecadação e a população já paga muito imposto”, disse Ratinho que completou: “estamos fazendo esforços, cortando mordomias para construir um projeto que permita, daqui a alguns meses ou no ano que vem, dar reajuste aos funcionários. Minha função como governador é cuidar do equilíbrio e garantir saúde financeira ao Estado”.

O governador também afirmou que o esforço para melhorar o estado não deve ser só do governo, mas de toda a sociedade. “Podemos até pensar em reajuste, mas seria necessário aumentar impostos. E precisamos perguntar para a sociedade se quer aumento de imposto para dar reajuste para servidor”, disse ele. “Essa é uma discussão complexa. Entendo o trabalho dos servidores como árduo e importante. Mas temos de reconhecer que o Paraná está pagando o salário em dia. Há muitos estados com dificuldades de pagar até mesmo os aposentados e nós já estamos trabalhando para que o décimo terceiro esteja na conta já no início de dezembro. Tem que haver clareza de que há esforço do governo para ter as contas em dia”.

Nenhum estado do Brasil, lembrou Ratinho Junior, está dando reajuste ao funcionalismo, porque o país está em crise, com a arrecadação caindo. Ele citou Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, que estão parcelando o pagamento dos seus servidores e não conseguindo pagar aposentadorias. “Minha obrigação como governador é não deixar o Paraná entrar nesta situação, que infelizmente acontece com estados nossos irmãos e que torcemos para que superem logo.”

Servidores dizem que há limite para reajuste e marcam greve para dia 25

Do outro lado, as entidades que congregam as diversas categorias do funcionalismo estadual estão em movimento de cobrança da data-base dos servidores. A APP-Sindicato, entidade que representa os professores e profissionais de educação da rede estadual de ensino, já marcou greve para o dia 25 de junho.

“Há mais de 3 anos, servidores(as) públicos(as) do Paraná não recebem a reposição da inflação em seus salários. São mais de 17% de dívida do governo do Estado com professores(as), enfermeiros(as), funcionários(as) das escolas, policiais civis e militares, agentes penitenciários(as), médicos(as), escrivães, peritos(as) e outros(as) servidores(as), ativos e aposentados(as), que atendem diariamente os(as) mais de 11 milhões de paranaenses. A situação é grave, pois o custo de vida de toda a população aumentou. Foram aumentos no preço do gás, combustível, tarifas de água e energia, IPTU, IPVA, etc. Porém os salários destes(as) trabalhadores(as) estão congelados”, diz a página da APP-Sindicato. “Diante da situação que é muito grave, servidores(as) estaduais entrarão em greve a partir do dia 25 por tempo indeterminado. Esperamos que o governador Ratinho Júnior cumpra com suas promessas, negocie com os sindicatos saídas para a situação e pague a dívida que tem com estes(as) trabalhadores(as)”, informa a entidade.

Já a representante do FES (Fórum de Entidades Sindicais) professora Marlei Fernandes de Carvalho explica que a decisão é política e o governo pode pagar a data-base. “Entendemos que continuamos com as dificuldades ainda. O governador ainda está com as informações da Secretaria da Fazenda, onde apontam dificuldades e que não tem dinheiro. Nosso posicionamento é contrário a isso, temos todos os dados e números provando isso, portanto as categorias estão organizadas. Vai ter uma reunião da coordenação do FES para ampliar o debate e começarmos nossa greve com força a partir do dia 25”.

No mesmo sentido, o economista Cid Cordeiro, ligado aos movimentos sindicais, destaca que existe viabilidade da reposição da data-base. “Nós apresentamos na reunião com o governo os dados tanto da receita, tanto do aumento de gastos previstos para 2019 e concluímos que dentro do limite fiscal, que é o grande ponto de discussão, há condições sim de pagar essa data-base de 2019, de 4,94% e também 1% em outubro e mais 1% no mês de dezembro”, enfatiza Cordeiro.

CDF com ANPr e APP-Sindicato. Fotos: Rodrigo Felix Leal/ANPr e APP-Sindicato.

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