PRF e Governo do Paraná realizam seminário sobre tráfico de pessoas e trabalho escravo; evento terá depoimento de mulher vítima de tráfico humano

cambedefato.com / 15 de julho de 2019.

O principal evento da campanha Coração Azul no Paraná, em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas (30 de Julho), será o 3º Seminário de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e ao Trabalho Escravo, promovido pela Secretaria de Justiça, Família e Trabalho e pela Polícia Rodoviária Federal do Paraná. O evento será realizado nos dias 30 e 31 de Julho no auditório da PRF em Curitiba.

“A data é importante para alertar a população sobre este crime velado que coloca em risco a vida e a dignidade das pessoas. Temos que estar atentos para combater e denunciar situações possíveis de tráfico humano”, diz o secretário da Justiça, Família e Trabalho, Ney Leprevost.

“A PRF entende que através de ações integradas como esta o poder público encontra efetividade na preservação de vidas e da segurança. Este evento reforça a importância da sensibilização das forças de segurança pública sobre o Tráfico de Pessoas e o Trabalho Escravo para que se possa buscar soluções eficazes no combate a esses crimes”, ressalta o Superintendente Regional da PRF no Paraná, Ismael de Oliveira.

Serão dois dias de palestras e debates sobre os respectivos temas. O primeiro dia terá foco no tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. No segundo, a ênfase será o trabalho escravo. Dentre os palestrantes estarão Maurício Carlos Rebouças, pesquisador do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas Migratórias; Olympio Sotto Maior, procurador do Ministério Público do Paraná; Felipe Hayashi, Chefe do Departamento de Justiça da Sejuf; Luíze Surkamp, Auditora Fiscal do Trabalho, Chefe da Seção de Inspeção do Trabalho no Paraná; e Leonardo Vieira Wandelli, Juiz titular da 5ª Vara do Trabalho de São José dos Pinhais – Tribunal Regional do Trabalho do Paraná.

Haverá também uma mesa-redonda com mediação do jornalista Rogério Galindo, editor-chefe do site Plural.

E, ainda, o depoimento de uma curitibana que foi vítima de tráfico internacional com fins de exploração sexual e cujo caso está sendo investigado pela Interpol. Mesmo anonimamente, ela estará à disposição para responder às perguntas do público presente ao evento.

Confira a programação:

30 de julho de 2019 (terça)

08h15 – Recepção com café da manhã e registro de presença
09h00 – Cerimônia de abertura
10h30 – Palestra “O tráfico de pessoas no Brasil e no mundo” – Maurício Carlos Rebouças, pesquisador do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas Migratórias – ICMPD
13h30 – Depoimentos e experiências de vítimas de tráfico para exploração sexual
14h30 – Palestra “O tráfico de pessoas para fins de exploração sexual” – Dr. Olympio de Sá Sotto Maior Neto, Procurador de Justiça, Coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público do Estado do Paraná – CAOPJDH/MPPR
15h30 – Mesa de debates – “O tráfico de pessoas e a exploração sexual”. Participantes: PRF Fabrício Rosa, Presidente da Comissão Regional de Direitos Humanos da PRF-GO; Silvia Cristina Xavier, Coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da SEJUF/PR; Olympio Sotto Maior, Procurador de Justiça, Coordenador do CAOPJDH/MPPR. Mediador: Rogério Galindo, jornalista.

31 de julho de 2019 (quarta)

08h30 – Palestra “Instalação da COETRAE no Paraná: desafios e perspectivas” – Felipe Eduardo Hideo Hayashi, Chefe do Departamento de Justiça, da Secretaria de Justiça, Família e Trabalho do Estado do Paraná
08h50 – Palestra “Ações de Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravo no Paraná” – Dra. Luíze Surkamp, Auditora Fiscal do Trabalho, Chefe da Seção de Inspeção do Trabalho no Paraná, da SRTE/PR – Ministério da Economia
09h10 – Palestra “Política Nacional de Erradicação ao Trabalho Escravo e sua Correlação com o Tráfico de Pessoas” – Dr. Dante Cassiano Viana, Coordenador-Geral de Combate ao Trabalho Escravo, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
09h30 – Mesa de debates e perguntas aos palestrantes
10h30 – Palestra “O papel da Polícia Rodoviária Federal no Enfrentamento ao Trabalho Escravo” – PRF Luciana Duarte, Instrutora de Direitos Humanos e Presidente da Subcomissão Nacional de Valorização da Mulher na PRF
10h50 – Palestra “O trabalho escravo contemporâneo nas cadeias produtivas” – Dr. Luercy Lino Lopes, Procurador Regional do Trabalho do Ministério Público do Trabalho no Paraná
11h10 – Palestra “Coibição do trabalho análogo ao escravo e promoção dos direitos humanos” – Dr. Leonardo Vieira Wandelli, Juiz titular da 5ª Vara do Trabalho de São José dos Pinhais – Tribunal Regional do Trabalho do Paraná
11h30 – Mesa de debates e perguntas aos palestrantes

Clique AQUI para acessar o link de inscrições.

Relato da prática de Tráfico Humano para fins de Exploração Sexual na Amazônia

“Eu tinha oito anos quando meus padrinhos apareceram na comunidade São José na Ilha da Paciência, no Solimões, interior do Amazonas. Meses depois eles voltaram à comunidade e pediram ao meu pai para eu ir com eles para Manaus. Eu chorei porque não queria ir, mas não teve jeito. Quando cheguei, a madrinha começou a me ensinar a arrumar as coisas da casa. Eu apanhava muito porque demorava a aprender os serviços. Mandaram-me dormir num quartinho no fundo, separado do resto da casa. Toda noite o padrinho ia ao meu quarto com o filho mais velho, de 15 anos. Ele ensinava ao menino como ele deveria fazer sexo comigo. Eu chorava porque doía muito. Tenho certeza de que a madrinha escutava, mas nunca veio ao meu socorro. Morei lá até os 16 anos. Durante esse tempo, engravidei cinco vezes. Sempre que a madrinha percebia, me dava remédio para abortar. Tudo ali mesmo, na casa”.

O relato acima de uma vítima de tráfico de pessoas, narra a dura realidade enfrentada por muitas meninas, vítimas de tráfico humano na Amazônia. Desde 2012, a Rede “Um Grito Pela Vida”, integrante da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) atua na prevenção contra o tráfico de pessoas na região. 

A organização já registrou 41 histórias, parecidas com a que foi narrada pela vítima anteriormente. De acordo com os dados fornecidos pelo Disque 100 dos Direitos Humanos, foram recebidas 106 denúncias de tráfico humano em 2016. No Amazonas, dos 41 casos registrados pela Rede, 23  são de mulheres traficadas para fins de exploração sexual.

De acordo com a articuladora da Rede, Rosilei Bertoldo, muitas jovens ingressam no mundo do tráfico sem ter noção do que realmente é. “A grande maioria vem para a cidade sob a proteção de padrinhos e madrinhas, conhecidos dos pais, com a promessa de estudar, conseguir uma vida melhor e, quando chegam a Manaus, conhecem uma realidade completamente diferente, sendo submetidas a todo tipo de abuso e trabalho escravo”, conta a articuladora. 

O texto acima é o início da matéria de Isabela Bastos para o site Em Tempo, publicada em 2017 e que mostra a prática do tráfico humano na Amazônia.

Para ler a matéria completa de Isabela Bastos para o site Em Tempo, clique AQUI.

CDF com Agência PRF. Fotos: arquivo/Agência PRF, arquivo/CDF e Marcelo Cadilhe/ Rede Um Grito pela Vida.
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