Professores da UEL criam bioinseticida que elimina larvas do Aedes aegypti

cambedefato.com / 22 de novembro de 2019.

Por Reinaldo C. Zanardi, para o jornal Notícia (UEL).

Professores e estudantes do Centro de Ciências Biológicas da UEL comemoram os resultados do projeto de pesquisa “Inovação em produtos de controle e repelência do vetor e no monitoramento de arbovírus”. O resultado? O desenvolvimento de um produto – bioinseticida – para controle do mosquito Aedes aegypti em duas formulações: comprimido e pó. “Pretendemos fazer o registro [na Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para que seja colocado à disposição da população a baixo custo”, diz o coordenador local do projeto, professor João Antonio Cyrino Zequi (Departamento de Biologia Animal e Vegetal). O Aedes aegypti transmite o vírus da dengue, ozikavíruse o agente que causa a chikungunya.

O projeto tem abrangência estadual e na UEL conta com a colaboração dos professores Gislayne Trindade Vilas Bôas e Laurival Antonio Vilas Bôas, ambos do Departamento de Biologia Geral. Os professores lembram que o trabalho de monitoramento e controle do mosquito da dengue começou com o pioneirismo dos professores José Lopes e Olívia Nagy Arantes, hoje aposentados. “É importante dizer que essas ações têm 30 anos e começaram com eles”, afirma João Zequi.

O bioinseticida pesquisado na UEL é produzido de forma artesanal e quase todas as fases são desenvolvidas dentro da universidade. As etapas são o isolamento da bactéria Bacillus thuringiensisisraelensis, o processo de fermentação, o crescimento da bactéria, a liofilização (desidratação) que consiste em transformar o líquido em pó. Depois disso, o material é enviado para Curitiba e transformado em comprimido. Isso é feito pelo professor Francisco de Assis Marques, da Universidade Federal do Paraná.

João Antonio Cyrino Zequi, Gislayne Trindade Vilas Bôas e Laurival Antonio Vilas Bôas (acima): a produção do bioinseticida da UEL atende a prefeituras e empresas que mantêm com a UEL contratos de prestação de serviços.

Conforme João Zequi, o bioinseticida pode ser usado em reservatórios de água com difícil acesso, que impede a eliminação de larvas do mosquito Aedes. “Mesmo que seja em caixa d’água para consumo humano. O bioinseticida usa materiais inertes a partir de produtos naturais, conforme recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde)”, destaca Zequi.

O produto, segundo o professor, age por até oito semanas, e elimina as larvas do mosquito. “É um produto biológico, seletivo, porque mata somente a larva do Aedes e não afeta a fauna associada” (peixes e outros insetos, como libélulas, por exemplo). Além do mosquito da dengue, o bioinseticida elimina o culex (pernilongo comum). Estão sendo realizados experimentos para que seja usado no combate, também, do borrachudo. Esses testes estão sob a responsabilidade do professor Luis Alves, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em Cascavel.

A produção artesanal do bioinseticida da UEL atende a prefeituras e empresas que mantêm com a UEL contratos de prestação de serviços. Entre as prefeituras atendidas estão as dos municípios paulistas de Adamantina, Tupã e Ourinhos. O produto desenvolvido na UEL é usado em lagoas de tratamento de efluentes. “O preconizado é que o controle e um bom monitoramento sejam feitos a cada três meses onde a larva se reproduz, porque aponta para a infestação do mosquito”, diz João Zequi.

Armadilhas – Um recurso muito usado para conhecer a infestação do mosquito, principalmente pelos serviços municipais e estaduais de saúde, é o Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa). No entanto, Zequi afirma que a literatura questiona a efetividade do LIRAa no monitoramento do mosquito, a partir do indicador de infestação. Por isso, o professor aponta as armadilhas (ovitrampas) como instrumento mais sensível para medir o grau de infestação do Aedes. “A armadilha é precisa, principalmente, quando há baixa infestação do vetor (mosquito)”, afirma Zequi.

O bioinseticida é disponibilizado em duas formulações: comprimido e pó

A armadilha consiste em um recipiente de plástico preto, com substância líquida para atrair a fêmea do Aedes, que deposita seus ovos em uma paleta. Com esse método é possível verificar e positivar a presença do mosquito e sua densidade, ou seja, a quantidade de ovos. O recorde de ovos do Aedes é de 300 em uma única armadilha. Pela UEL, estão espalhadas 120 armadilhas para monitorar o vetor no campus da instituição.

Além do Campus, a UEL, a partir de prestação de serviços à sociedade, mantém armadilhas em condomínios e residenciais de Londrina. A equipe georreferencia os pontos de monitoramento classificando-os em três faixas: i) vermelha (infestada), ii) amarela (alerta) ou verde (sem mosquito). “Baseado na presença do vetor são realizadas ações de controle no entorno do ponto de monitoramento em um raio de 200 metros”, explica João Zequi. “A população não pode montar a armadilha. Esse é um trabalho que deve ser por um órgão competente”, completa.

Zequi explica que a UEL está desenvolvendo um protótipo para, também, fazer o controle do Aedes. A armadilha padrão foi adaptada para capturar a fêmea do mosquito depois de depositar seus ovos. Segundo Zequi, a taxa de captura da fêmea é de 56%. “Uma taxa excelente. Esse protótipo – além de monitorar a infestação – realiza o controle do mosquito”.

Atuação – O estudante de Mestrado em Ciências Biológicas Alex da Silva Bocaleti, participa do projeto e ressalta a importância da interdisciplinaridade da proposta. “Estou na área de Entomologia, mas participar desse projeto me proporciona aprendizado em outras áreas como Microbiologia e Genética. Aprendo demais”, afirma.

A estudante de Pós-doutorado Priscilla de Freitas Cardoso atua no Laboratório de Genética e Taxonomia de Bactérias do CCB. Para ela, o aprendizado engloba várias etapas que vão da pesquisa básica à pesquisa aplicada. “Pensar o futuro desenvolvendo produto, que pode ajudar a população em um problema que é endêmico”, comenta.

A professora Gislayne Trindade Vilas Bôas ressalta o papel da ciência no desenvolvimento de ferramentas para o controle do mosquito Aedes aegypti. “Destaco a importância dos produtos que serão disponibilizados para a população. Além disso, é gratificante acompanhar os alunos nesse processo”, diz Gislayne. “São alunos de vários níveis da universidade que se beneficiam dessas atividades. Da graduação ao Stricto sensu“, completa o professor Laurival Antonio Vilas Bôas.

Matéria foi publicada originalmente no Jornal Notícia nº 1.402, editado pela Universidade Estadual de Londrina.

Fonte e Fotos: Agência UEL.

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